Pequeno Tributo a Mamãe

Mamãe Tati

Envelhecer para Mamãe foi como plainar sem muitos atritos, com o ouvir do farfalhar do vento suave.
Foi como quem não sofre mais tanto com os inevitáveis atritos da vida.
Ela se foi como a nave que sai da abrasão da atmosfera e vai entrando noutro astral, e vai silente, e vai gastando quase nenhum combustível, flutuando como uma caravela no mar , uma asa delta no espaço ou uma cápsula no cosmos.
Nos deixou e entrou para outra dimensão com serenidade, tomou seu lanchinho da tarde, seu cafézinho mineiro tão apreciado e pediu para tirar um cochilo. Assim dormindo entrou para a vida eterna.
Transpôs a barreira desta vida como sempre desejou; em casa, ao lado de seus queridos , rodeada de amor, respeito e admiração de seus parentes. Parente para ela sempre foi o patrimônio mais importante de sua existência. Dedicou anos preservando, visitando, unindo e colecionando esses
bens. Morreu ricamente rodeada de seus parentes e amigos mais queridos.
A Mamãe envelheceu bem, com uma sabedoria admirável. E que tarefa difícil é envelhecer! Com muito pouco ficava feliz, nunca se queixou do peso dos anos, nunca desafiou ou brigou com o mundo que a rodeava, jamais falou mal de alguém, possuia uma aréola de compreeensão e paz que envolvia e cativava todos os que tiveram a oportunidade de com ela conviver.
Aceitou como ninguém a evolução dos tempos, afinal foram 92 anos de uma vida quase centenária, no século de desenvolvimento mais espetacular da história da humanidade, e quando percebeu a hora da morte, deu as mãos a Deus e caminhou com serenidade e consciência, com a grandeza e a paz existencial só aos sábios permitida.
Nos seus últimos momentos Mamãe lembrou de todos, desejou vê-los e ouví -los, orar com eles e despediu-se com firmeza e doçura a ponto de muitos de nós não entender que seu fim estava tão próximo.
Mamãe envelheceu como os instrumentos musicais bem conservados que permanecem por séculos conferindo mensagens lindas a todos que o tocam em busca de paz, prazer, compreensão e felicidade .
A natureza fez com a Mamãe como faz com os elefantes, os pássaros, os instrumentos em boas mãos. Envelheceu com dignidade, por desgaste sim, mas não de forma desgastante. Sua maneira de envelhecer foi doce, meiga, suave. Ela foi se gastando até desaparecer, sem choros nem dores, como quem, caminhando contra o vento, de repente, se evaporasse.
Mamãe, como era seu hábito em superar os obstáculos da vida, iniciou outra caminhada eterna sem nenhum gemido, dor ou contestação, deixando lições e exemplos de fé, de vida, de amor e de carinho que permanecerão em nossa memória para sempre.

Seu filho “querido” Paulo